12 Anos de Escravidão: a crueldade jamais retratada

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É um filmaço, não tem como não gostar e até se emocionar com “12 Anos de Escravidão”. O grande favorito ao prêmio de Melhor Filme, o longa de Steve McQueen é baseado em fatos reais e traz Chiwetel Ejiofor como o protagonista Solomon Northup. Em algum momento, será possível se perguntar onde estão os motivos que o levarão à estatueta – possivelmente, como muitos críticos apostam. E talvez o espectador comum os encontre. Mas, provavelmente, não. De qualquer forma, “12 Anos de Escravidão” é um filme espetacular, que vai provocar arrepios, muitas emoções e até algumas lágrimas. Porque ninguém pode sofrer tanto assim apenas pela cor de sua pele – embora saibamos que sim, e ainda hoje.

Então, o filme fala desse racismo, o racismo em sua forma mais pura, porque um negro era uma propriedade, uma coisa a qual se podia usar como esgoto. Exatamente isso, esgoto. Porque é útil, mas também é para onde vai a escória dos humanos, dos que possuem direitos e, claro, alma.

Essa é a história de “12 Anos de Escravidão”. O escravo liberto que é sequestrado e por 12 anos se vê obrigado a trabalhar em uma propriedade na região de Louisiana, nos Estados Unidos. À espera de um milagre, Solomon Northup viveu e Chiwetel Ejiofor o retratou com respeito. Nem mais, nem menos. Mas digna mesmo de receber um prêmio é Lupita Nyong’o, quem faz a escrava Patsey. Que atuação! A atriz queniana é a grande favorita e será justo o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, diferente do filme, como um todo. Mas vamos ao trailer!

Assista ao trailer de “12 Anos de Escravidão”!

É a crueldade, a violência física e moral, mas muito mais a física, que impressiona no filme. A atuação de Michael Fassbender, como o fazendeiro escravagista Edwin Epps, é de arrepiar. Um drama de verdade, mas sem grande alarde. É um drama daqueles bem hollywoodianos, do qual se espera uma redenção à altura, mas ela também não acontece. A participação de Brad Pitt deixa espaços, é vazia, o que faz o filme perder quanto à veracidade do salvamento de Solomon. O que não torna o filme menos belo, apesar de seus concorrentes mais capazes de causar euforia. O que não torna, sim, o filme menos diícil de digerir, de aceitar a verdade de que os negros eram sim tratados como grandes e úteis animais.

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Solomon tem que esconder o tempo todo que é um negro diferente, porque ele sabe ler, escrever e toda violino de maneira exímia. Bem casado, com filhos, veste-se distintamente até que sua vida muda, passando a ser como a de todo negro de sua época. A partir do momento que ele entende que precisa guardar qualquer emoção, é como se o filme corresse devagar, como um rio que tem muitos obstáculos. Até que o personagem as extravasa, no final, o rio corre solto em olhares aterradores. Olhares que valem o filme todo.

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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