A semana que não terminou

Se Woody Allen usasse São Paulo como cenário para um filme, não seria difícil imaginar que a produção pudesse ser ambientada na Semana de Arte Moderna de 1922.

Emblemática, representativa, queridinha dos estudiosos da cultura, não importa o nome que se dá, a Semana de Arte Moderna de 1922 foi o evento que marcou a reinvenção das formas artísticas “aceitas” até então.

O livro que serviria de base para o roteiro de Allen poderia ser então 1922 – A Semana que Não Terminou, do jornalista Marcos Augusto Gonçalves. Lançado pela Companhia das Letras, é leitura indispensável!

Não apenas pelo assunto que é tão simbólico, mas também – ou principalmente – pela maneira como organiza as histórias e os personagens, em textos curtos e leves, tornando a leitura fluída, daquele jeito que vamos lendo, lendo, lendo e nem percebemos quando chegamos ao fim.

Um dos diferenciais do texto de Marcos Augusto Gonçalves é a preocupação de contar um pouco mais sobre a vida de cada artista que tornou essa semana um evento tão divisor de águas.

Detalhes pessoais interessantes, e até mesmo outros que não fazem lá tanto sentido, mas porque acabam tornando grandes nomes da cultura do Brasil pessoas mais comuns, fazem do livro um título fora da curva.

O jornalista fala sobre as relações pessoais dos artistas e coloca cada um em seu devido contexto social, familiar e político. Para quem nunca se interessou pelo assunto por achar todos os livros muito complexos, ou até entediantes, 1922 – A Semana que Não Terminou é excelente ponto de partida.

Marcos Augusto Gonçalves estudou literatura na PUC-RJ e fez mestrado em Comunicação pela UFRJ. Foi editor do “Ilustrada” e do caderno “Mais!”, ambos da Folha de S.Paulo, onde também exerceu o cargo de editor do “Opinião”.

Se o assunto soa antigo demais para saltar à mente detalhes importantes, eis um resumo: a Semana de Arte Moderna de 1922 aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 – óbvio.

Organizada por Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Manuel Bandeira, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Villa-Lobos, e mais alguns outros nomes, a semana deu nome ao movimento chamado Modernismo.

Assim como com tantos outros movimentos mundo afora, o Modernismo marcou um grupo de pessoas e suas principais ideias viraram livros, manifestos, revistas, pinturas e toda a sorte de produções.

Uma geração interessante, sem dúvida, e que vale a pena ser estudada e apreciada, principalmente com títulos como 1922 – A Semana que Não Terminou.
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Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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