A Teoria de Tudo: uma celebração do tempo

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Todos conhecem Stephen Hawking, mas poucos conhecem a história por trás do cientista consagrado. É o que encontramos em “A Teoria de Tudo”, longa do diretor James Marsh, que foca na juventude de Stephen, a descoberta da doença e o seu relacionamento com Jane Hawking, com quem foi casado por 25 anos. Autobiográfico e baseado no livro “A Teoria de Tudo: A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking”, o filme coloca não só os avanços científicos de Hawking, mas também a relação de Stephen e Jane. Aos 21 anos, o cientista foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa que destrói células cerebrais que controlam atividades musculares essenciais como falar, andar, respirar e engolir. Stephen teria apenas mais dois anos de vida.

Na época do diagnóstico, Jane era namorada de Hawking e decidiu assim mesmo continuar o relacionamento. “Vamos viver o tempo que tivermos”, é uma das frases da personagem, interpretada pela atriz Felicity Jones. E assim, contrariando a medicina, os dois anos se casaram. Hoje, o cientista está com 73 anos.

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No longa, acompanhamos o avanço da doença, assim como a dificuldade de Jane em cuidar do marido, da casa e dos filhos. “A Teoria de Tudo” não é apenas sobre Stephen, mas também sobre Jane. Observamos, cena a cena, a vida de uma mulher que decidiu ficar e lutar pela relação diante de qualquer dificuldade ou controvérsia que viessem atingi-los. O filme retrata as pesquisas do cientista, e trata também sobre o tempo e tudo o que ele nos reserva ou faz conosco.

Eddie Redmayne, que interpreta Stephen, está brilhante na atuação do começo ao fim. O ator trabalhou com um bailarino e um fonoaudiólogo para reviver nas telas a progressão da Esclerose Lateral Amiotrófica. E ele consegue expor sentimentos durante cenas em que ele mexe apenas os olhos e as sobrancelhas. Magnífico!

Engana-se quem acredita que o filme tende a ser melodramático, principalmente ao mostrar o avanço da doença. Pelo contrário, a emoção na narrativa é contida. Fica no lugar o jeito bem-humorado do cientista em lidar com as situações e a força de Jane em se manter ao lado de Stephen, lutando pela relação e, algumas vezes, pela vida de Hawking.

Para nós espectadores ficam todas as lições sobre como lutar por quem ou pelo que amamos. Essas lições ambientam o filme inteiro. Seja um trabalho, a profissão, um relacionamento, a família ou alguma teoria em que acreditamos. “Enquanto houver vida, haverá esperança”, diz Stephen em uma das palestras encenadas no longa. Enquanto houver tempo também, Stephen e Jane. Tempo e uma vontade inteira de seguir em frente com tudo o que amamos. Afinal, o que pode haver de mais especial do que não haver limites para o esforço humano?

Letícia Cardoso Written by:

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