As vidas passadas de Mario Prata

Chico Rei, nascido no Congo, veio para o Brasil em um navio negreiro inglês no século XVIII. Um dos negros mais conhecidos da História do Brasil teve um filho chamado Muzinga.

Muzinga foi uma das vidas passadas de Mario Prata que, por sua vez, é um dos cronistas mais famosos da História do Brasil.

Agora, como Mario Prata sabe que foi Muzinga?

Minhas Vidas Passadas, livro de Mario Prata.

Em 1998, Prata resolveu fazer uma “regressão”. Por recomendação do psicanalista Leonardo Ramos, um dos personagens mais procurados em consultórios da História do Brasil, o escritor brasileiro buscou em vidas passadas algumas das respostas às suas angústias. Essa “experiência” está relatada no maravilhoso e divertido livro Minhas Vidas Passadas.

A fama, curiosamente, parece ser um ponto em comum em todo o processo evolutivo dessa alma de sobrenome Prata.

Muzinga foi a penúltima vida de Mario antes de ser Mario. E engraçado é que Muzinga pergunta ao doutor Leonardo sobre Mario, que ainda vai nascer:

“Pois então me conta como ele é. Meio preto, meio gay, meio puta, meio índio, meio padre, meio uma donzela do século XIX, meio amiga de Jesus, meio parideira de Dante… Esse cara deve ser completamente doido.”

Essa é uma resposta que não só o doutor Leonardo pode dar, mas também todos os seus leitores. A criatividade de Mario Prata não tem limites e é deliciosamente natural. Tudo parece inspirá-lo para contar uma história. Vai de bar em bar, ou melhor, de vida em vida, e aí vai querendo saber, sem muito julgamento e tal.

Em Minhas Vidas Passadas, Mario Prata foi tudo isso: meio preto, Chiquinho Muzinga; meio gay, John Marie of Edinburg; e amiga de Jesus, na pele de Ana de Betânia, irmã de Maria, Marta e Lázaro.

Ele foi Gemma Di Maneto Donati, que teve com Dante nove filhos. E foi também Georgette Tapié de Céleyran, amante do pintor Toulouse-Lautrec; entre outras vidas.

Para muito além do humor, Minhas Vidas Passadas foi escrito com rigor histórico e contou com pesquisa acurada da historiadora Angela Marques da Costa – que usou mais de 60 livros para sustentar todas as histórias.

Assim, o livro é um jeito divertido de conhecer várias personalidades, e um pouco de suas histórias, principalmente para quem já se perguntou quem foi em outras vidas – na crença de que há um mundo além desse, evidentemente.

Algumas pessoas, como Mario, sabem. E ele sabe até de vidas futuras. Prova é a genial dedicatória: “Dedico a Arturo Bacelar Gutierrez, que nascerei em 2059.

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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