Brigitte Bardot, a Eva de Vadim

A personagem escolhida pela escritora francesa Marie-Dominique Lelièvre é o mito, aquela que o mundo nunca conseguiu deixar de admirar, mesmo tendo nascido outras mulheres tão belas quanto ela – e depois dela. Brigitte Bardot, quem para muitos ainda é a mais linda de todas, ganhou uma biografia envolvente logo após ter completado 80 anos. “Brigitte Bardot” (2014) foi lançado no Brasil pela Record e é um livro para lá de envolvente.

A Eva de Vadim é despida em prosa poética em um texto exagerado como a atriz e belíssimo como a atriz. O livro é composto por sentenças incomuns em biografias, pelo caráter excessivamente elogioso, mas o que provoca leve desconforto no início da leitura é logo superado pela elegância das frases e ricas analogias. Assim, o prazer de viajar pela vida de Brigitte Bardot é o mesmo com o qual costumeiramente pousamos o olhar em suas fotografias ou filmes. Se Deus criou esta mulher independente, selvagem e arredia, Ele certamente teria o cuidado de eternizá-la…

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Dos sentimentos que cercariam Brigitte Bardot ao longo de sua vida, o de rejeição foi o escolhido como ponto de partida para a narração de Lelièvre. A mãe, Anne-Marie Bardot, dirigia à pequena Brigitte comparações negativas, principalmente em relação à irmã Mijanou: “Felizmente eu tenho Mijanou, pois Brigitte é desagradável, tanto no físico quanto nos seus atos.” Não sem razão o instinto maternal da musa nunca se revelaria. O amor por sua própria imagem não foi vencido pelo sentimento incondicional que se costuma ter pela cria, em seu caso, pelo único filho, Nicolas Charrier, fruto da união de BB com Jacques Charrier. É o trecho mais tocante – e, sim, chocante – do texto de Lelièvre. A escritora francesa chega a citar trechos de “Iniciais BB”, autobiografia na qual Bardot compara seu filho a um tumor, entre outras escandalosas declarações.

O livro também passa por todos os grandes amores da atriz. Ou seria por todos os corações dilacerados pela guardiã de Saint-Tropez? Fala-se do ator Jean-Louis Trintignant, do cantor Gilbert Bécaud, e também dos atores Sami Frey e Jacques Charrier. Não ficou de fora o fotógrafo Gunter Sachs e, claro, o mais marcante, tanto para Bardot como para a história, o criador do mito, Roger Vadim.

A fêmea fatal dos anos 50 e 60 não é mais dissecada por Lelièvre do que por si própria, por todas as atitudes e declarações ao longo da vida. “Brigitte Bardot” ganha, então, pelas belas frases. A jornalista que assinou também biografias como a da escritora Françoise Sagan, do cantor Serge Gainsbourg e do estilista Yves Saint Laurent se assume admiradora de Bardot logo no início, ganhando assim a absolvição por tantos adjetivos. O deleite que falta ao livro, contudo, são as fotos que não ilustram nenhuma das 300 páginas. Um crime sem perdão em uma biografia sobre Bardot.

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Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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