Caminhos da Floresta: a vida como ela é

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“Caminhos da Floresta” é criativo. Excelente ideia reunir grandes contos de fadas em uma única história. O filme que está formando filas nos cinemas é baseado no musical homônimo da Broadway de Stephen Sondheim. Além de exibir uma fotografia muitíssimo bem feita – Padrão Disney de Qualidade – o longa, dirigido por Rob Marshall, desconstrói alguns mitos, o que também não é novidade, mesmo tratando-se da Disney, que há algum tempo já vem rebaixando o moral dos príncipes, por exemplo, e emancipando as princesas. Então, tem tudo isso mais Meryl Streep. Ela é sempre uma discussão à parte. Pela – perdemos a conta – vez, Meryl Streep concorre a um prêmio, este ano como Melhor Atriz Coadjuvante. Além desta categoria, o musical disputa a estatueta de Melhor Figurino e Melhor Design de Produção.

O roteiro maluco tem como personagens centrais o padeiro e sua esposa estéril – vividos respectivamente por James Corden e Emily Blunt – que, amaldiçoados pela bruxa – Meryl – têm a chance de reverter o feitiço e assim gerar o tão sonhado filho. A bruxa faz algumas exigências ao casal para que tal reversão aconteça e é deste ponto que a história se desenrola. Na trama, estão os contos: Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, João e o Pé de Feijão e Rapunzel. Todos interligados inteligente e divertidamente. Constam no elenco ainda: Anna Kendrick como Cinderela; Chris Pine como o príncipe da Cinderela; Johnny Depp como o lobo mau; Lilla Crawford como Chapeuzinho Vermelho; Daniel Huttlestone como João; Tracey Ullman como mãe de João; Christine Baranski como a madrasta da Cinderela; Mackenzie Mauzy como Rapunzel; Billy Magnussen como o príncipe de Rapunzel, entre outros.

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Além de Meryl Streep, brilha Emily Blunt. Sua atuação é espetacular. A Cinderela um tanto tonta e muito indecisa também é bem feita por Anna Kendrick. Um gostinho de quero mais ficou na participação rápida de Johnny Depp que, como sempre, fica incrível em personagens “lúdicos”.

Vai se chocar um pouquinho quem ainda – em tempos como os nossos – ama os finais felizes clássicos. Não seria um exagero dizer que “Caminhos da Floresta” é uma espécie de “A Vida Como Ela É”, de Nelson Rodrigues, versão Disney. Difícil de engolir alguns trechos, dirão os mais românticos.

Mas é assim que na vida real acontece: fazemos o que for preciso para que nossos sonhos aconteçam, mesmo quando isso muitas vezes esbarra nos sentimentos de alguém; sentimos atração por outra pessoa que não é o nosso parceiro ou parceira, nada é mais forte que um desejo e mesmo o amor, que pode apenas não consumá-lo, não é capaz de extingui-lo; sonhamos com uma vida e quando a conseguimos podemos sim perceber que não é nada disso que queríamos e nos sentir tentados a voltar atrás, abrir mão, deixar o papel que outros dariam a vida para viver. Dramas da vida real em um combo Disney. Na tela, desaponta; na vida real, quem tem a ver com isso?

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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