Danilo Caymmi: “Papai, você é muito ruim como ator”

O metro quadrado mais caro da família Caymmi, como costuma se apresentar, Danilo Caymmi é o mais novo dos filhos do renomado compositor baiano Dorival Caymmi. A brincadeira é porque Danilo nasceu no Leblon, no Rio de Janeiro. Cantor, compositor e arranjador, Danilo, aos 66 anos – inimagináveis devido à sua apresentação jovialíssima – ao lado de Dori e Nana tem andado com agenda cheia devido às comemorações dos 100 anos de nascimento do grande autor dos encantos da Bahia. O debut do caçula aconteceu como flautista na gravação do disco “Caymmi Visita Tom”, de 1964. Danilo fez parte ainda da Banda Nova de Tom Jobim, além de ter assinado trilhas sonoras de minisséries e novelas da Rede Globo como “Riacho Doce”, de 1990; “Teresa Batista”, de 1992; “De Corpo e Alma”, de 1992 e “Mulheres de Areia”, de 1993. Em 2001, ao lado de Roberto Menescal, Marcos Valle e Wanda Sá, participou do “Fare Festival”, realizado em Pavia, na Itália, pela Società dell’Academia. Passou também como músico pelas cidades de Estocolmo, Suécia; Helsinki, Finlândia e Moscou, Rússia. Entre os discos memoráveis, produziu “Para Caymmi de Nana, Dori e Danilo”, de 2003. A lista de trabalhos é extensa, assim como os nomes com quem trabalhou ao longo da vida. Em entrevista para o Eliana de Castro, Danilo Caymmi fala um pouco de si e do legado cultural que representa seu sobrenome.

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Eliana de Castro: Sobre o “Lado B”, aquilo que não saiu nas biografias do seu pai, os casos amorosos do Dorival Caymmi, qual foi a parte mais difícil de viver em família?
Danilo Caymmi:
Nada. Mamãe sabia. O caso mais complicado foi aquele da mulher que queria comprar o passe do papai, e mamãe estava até conformada. Aquela história dos direitos autorais foi verdade [uma mulher ofereceu dinheiro a Stella Maris, esposa de Caymmi, para ficar com o cantor, em resposta Stella disse que ele poderia ir, mas que ela ficaria com os direitos autorais de toda a sua obra]. Mas papai desistiu porque amava mesmo mamãe. Ele era mesmo muito mulherengo, nos anos 1940, 50, isso foi sério, mas depois foi ficando mais calmo.

Eliana de Castro: Quem de vocês se parece mais com ele? E falando de você, o que em você não tem nada a ver com ele?
Danilo Caymmi:
Todos nós temos muito dele. A voz é a principal característica. Agora, o que em mim não tem nada a ver com ele é que eu sou mais rápido, dinâmico, tenho pressa com as coisas. Ele não. Sou muito paulista, vamos dizer. Sou muito pontual, por exemplo. E sou muito agitado.

Eliana de Castro: Em uma desconstrução de você mesmo, se não fosse filho de Dorival Caymmi, acredita que mesmo assim faria algo relacionado à música?
Danilo Caymmi:
Até tentei. Fiz arquitetura por cinco anos, mas a música foi mais forte. Não adiantou, a música me pegou.

Eliana de Castro: Enquanto estava sozinho (na exposição “Caymmi – 100 anos”, no Centro Cultural Correios), você ficou um tempo olhando algo em um dos painéis da exposição, você ainda se emociona com tudo o que se conta do seu pai?
Danilo Caymmi:
Sim, com certeza. Eu estava olhando uma foto da Dulce Bressane, de um filme que eles fizeram juntos [“Estrela da Manhã”, de 1948]. Eu o sacaneava muito, dizendo: “papai, você é muito ruim como ator”. Ele se definia como “galã rústico”. Esse filme foi patrocinado pelo Partido Comunista e foi censurado. Isso foi na época que o Jorge Amado era do Partido Constituinte.

Eliana de Castro: De todas as personalidades que você teve a chance de conhecer, quem te emocionou mais?
Danilo Caymmi:
Cândido Portinari. Ter ido ao atelier dele com papai me impressionou muito, eu era muito garoto. Portinari foi um monstro da pintura.

Confira trecho do show de Nana, Dori e Danilo em homenagem a Dorival Caymmi, que assiste da plateia!

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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