Delicadeza e virtuosismo marcam show do “Personal Life”

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Seria preciso olhos oniscientes para saber o que acontece em todos os shows de todas as casas de show da cidade. Para comprovar a mais empolgante de todas as apresentações, seria preciso sentir de maneira transcendental, depois esvaziar-se, para então sentir novamente, em outro lugar. Foi no Tom Jazz, localizado na Avenida Angélica, em São Paulo, que a noite de sábado, 21, despertou o desejo de saber o que em outros endereços naquela noite foi capaz de embalar com tanta leveza e sensualidade. Subiu ao palco da casa intimista o grupo londrino “Personal Life”, abrindo o Jazzmasters Soul Festival, idealizado pelo programa de rádio Jazzmasters. Quem esteve presente, se entregou ao clima que na imaginação, certamente, todo mundo se entregou um dia, dirigindo pelas ruas ou enredado pelo dial, em qualquer lugar. A casa lotada reuniu pessoas de diversos estilos, arredias, no começo, enquanto a banda de abertura Groovelicious tocava, mas totalmente entregues depois que os londrinos assumiram o comando.

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Foi uma aposta fácil o sucesso da abertura do Jazzmasters Soul Festival. O histórico que a marca carrega acumula um Prêmio APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte, na categoria Melhor Programa Musical do Rádio, programas em 23 emissoras pelo Brasil, incluindo o programa diário na Rádio Alpha FM, e presença em cidades como Miami e Lisboa, só poderia dar segurança quanto à escolha do melhor nome para a primeira apresentação. O “Personal Life” foi considerado o grupo do ano, em 2013, pela “Soul Survivors Magazine” e o disco de estreia “Morning Light” é um primor em delicadeza e virtuosismo. Formado em 2010, em Londres, o “Personal Life” é composto pelo produtor Robert Strauss, Stuart Lisbie, Xantoné Blacq e Nathan Allen.

Ouça “Classic Lady”, a música que o “Personal Life” abriu o show no Tom Jazz!

Foi com “Classic Lady” que o grupo abriu o show. O som parecia saindo de um CD, naqueles aparelhos de som dos mais modernos. Mas eles estavam ali, presentes, entregues, o que fez a plateia reagir. Casais se levantaram e começaram a dançar, assim como os solteiros não se intimidaram e com suas taças de vinho se juntaram à frente do palco. Quem ficou sentado não desgrudou os olhos, com um leve sorriso, quase não acreditando na sorte de ter escolhido aquele show sem nenhum aviso prévio ou pela comprovação do que ouviram um dia do álbum de estreia da banda.

O que é fácil apostar, também, é que esta noite no Tom Jazz vai ficar na memória e nos sentimentos de quem provou do som do “Personal Life”. Muito além de um capricho da moda, o som dos caras é do tipo que causa uma admiração duradoura. E quem continua ouvindo espera que logo mais venha outro álbum. Aos que não sabem do que estamos falando, procure o disco “Morning Light” ou simplesmente ouça o programa “Jazzmasters”.

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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