Foxcatcher: o desafio de ser significante

FOXCATCHER

Com direção de Bennet Miller, o filme “Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo” é pautado na relação entre os irmãos Dave Schuletz, vivido por Mark Ruffalo, e Mark Schuletz, interpretado por Channing Tatum. Indicado em cinco categorias, entre elas “Melhor Diretor”, “Melhor Ator”, “Melhor Ator Coadjuvante”, “Melhor Roteiro Original” e “Melhor Maquiagem e Cabelo”, o longa conta ainda com a atuação brilhante de Steve Carell, na pele de John Du Pont.

O lutador e campeão olímpico Mark Schuletz, treinado por seu irmão Dave, sob circunstâncias financeiramente adversas, é convidado pelo homem mais rico da América, John Du Pont, para treinar em sua mansão, que inclui um centro de treinamento altamente equipado. Du Pont dá o direito a Mark de formar sua equipe, que deveria incluir Dave. Este, porém, declina a proposta, optando por priorizar sua família, a mulher Nancy e os dois filhos pequenos. O irmão mais velho felicita-se pelo pupilo e incentiva Mark a abraçar a oportunidade.

Ao partir para a mansão Du Pont, Mark se depara não só com um treinador estranho – Quem é Du Pont e o que ele deseja, afinal? – como entra em contato com emoções escondidas. Apesar de ser grato e amar muito Dave, deseja sair da sombra do irmão, que como lutador e treinador é sim muito bem sucedido. Além do potencial inquestionável, Dave sabe amar, é um homem seguro. Um contraste e tanto e que fere Mark.

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Du Pont é um homem inseguro, sempre à espera da aprovação da mãe. Riquíssimo, não tem amigos, os que o tolera são comprados. Mark torna-se um amigo – será? – E aqui vale a máxima rodriguiana: “Dinheiro compra até amor sincero”. Du Pont quer ser importante. Investe pesado nisso. Ele usa o dinheiro que tem para atrair Dave e Mark e formar lutadores campeões, não só para os EUA, mas campeões para a vida. Ele quer ser a própria inspiração. Paralelamente, a relação dos irmãos lutadores se alternam, principalmente por parte de Mark, que se sente inferior a Dave e não consegue exteriorizar suas emoções.

Mark Schuletz possui uma personalidade fechada, o que cansa um pouco no desenrolar do filme. Ele contém suas emoções praticamente o filme inteiro, adotando sempre a postura do rebaixado que teve a sorte de ser “apadrinhado”. Du Pont fareja a carência de Mark e o manipula. Fraco, Mark não aguenta a pressão e sucumbe a erros crassos que afetam seu desempenho. Quem se sai melhor na trama é Mark Ruffalo, que interpreta Dave Schuletz, e dá um pouco mais de vida para a história.

O final é chocante, triste, abala pelo quase inevitável: dinheiro de menos submete quem tem sonhos, e precisa dele, a situações humilhantes. Dinheiro demais, somado à arrogância, é tirânico. No fim, todos querem apenas significar algo para alguém (ou para si mesmos). E o dinheiro não tem nada a ver com isso, o mais incrível em “Foxcatcher”. Mark Ruffalo brilha porque em meio a um e a outro sabe ser feliz e tornar a vida dos que estão ao redor. Sua interpretação é quase inspiradora. Um filme ótimo, se se prestar atenção às emoções mais profundas de cada um. A história é mais triste por ser real. Ficam algumas lições, mas estas arriscamos ser bem particulares. Cada um tira a sua, do ponto que mais fala sobre si mesmo.

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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