“Memórias e Museus”: novas abordagens ampliam visão da Moda

A moda pode ser vista por grande parte das pessoas como algo superficial e fútil. Mas isso está mudando! Graças à abertura de outras áreas do Conhecimento, vem há algum tempo sendo pesquisada, o que tem permitido novas abordagens sobre o tema. O livro “Memórias e Museus”, publicado pela “Estação das Letras e Cores”, é mais um desses passos.

Resultado de uma parceria com o evento anual “Moda Documenta”, que reúne vários profissionais das áreas de Museologia, Designer, Moda, História, entre outros, a ideia é discutir e lançar novos olhares para a moda e suas aproximações com os modos de ser, sentir e observar a sociedade.

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Partindo do princípio de elevar a moda para outros patamares, o livro reuniu palestrantes das quatro primeiras edições do “Moda Documenta”, comprometidos com a temática sobre o lugar de memória e qual a importância dos registros e do preservar, para uma moda mais autoral e do próprio resgate às marcas e suas histórias, afim de reconstruir em oposição ao varejo de massa e de consumo rápido e descartável, sem comprometimento com identidades, memórias e afetividades, o caminho a ser trilhado pelos novos talentos da moda!

A moda como despertar da memória é a minha contribuição dentro do livro. Trabalho a forma como a moda pode ser destaque para efetivar e afirmar um pensamento e uma conduta de valorização do espaço público e das “gentes” que frequentam e preenchem tal espaço.

A pesquisa se passa no Rio de Janeiro, de 1904 a 1909. O padrão estabelecido do belo e do bom gosto vem da França, o que mostra certo desprezo pela memória, que tenta apagar/esquecer o passado colonial, que não condiz com a nova identidade que se pretende estabelecer de país/Estado moderno e civilizado, que atende como República.

Os “ganchos” trazidos desse estudo nos faz refletir sobre o nosso eterno problema de autoestima e supervalorização do que vem “de fora”, estabelecendo os paralelos sobre a questão das marcas brasileiras, dos estilistas e de como o mercado enxerga e repetem os mesmos erros confirmados pelas pesquisas históricas.

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Luciana Andrzejewski
Há 18 anos nas áreas de Moda e História, é mestre em Memória Social pela UNIRIO. Trabalhou como pesquisadora no acervo de figurino da Rede Globo, tendo o último trabalho ganhado um prêmio Emmy Internacional pela novela “Lado a Lado”. Ainda na Rede Globo, idealizou o blog do figurino para divulgar os eventos, as pesquisas e os looks compostos com as peças exibidas. Coordenou a Pós-Graduação em Comunicação em Moda da Faculdade CCAA, no Rio de Janeiro e hoje mora em São Paulo. Atua como professora na FMU, no curso de Moda e nos cursos de pós-graduação Gestão, Marca e Coleção. Pelo SENAC-SP, ensina nos cursos Criação de Imagem e Styling de Moda. Dá aulas também no curso Direção de Arte em Comunicação do Belas Artes. Sua atuação e pesquisa envolvem temas como: História e Memória; Moda e Comportamento; Teoria e Comunicação em Moda; Figurino; Metodologia e Projeto de Pesquisa. Colabora escrevendo sobre figurino no MIMO (Museu da Indumentária e da Moda).