O Grande Hotel Budapeste: lugar dos afetos

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“O Grande Hotel Budapeste” é uma fábula graciosa. A história é tão sensível quanto são exuberantes os cenários e os figurinos. Por isso o filme exige atenção, se o espectador desejar verdadeiramente apreciá-lo. Dirigido por Wes Anderson, o longa concorre em nove categorias, incluindo Melhor Filme. Tantas nomeações acabaram trazendo o filme de volta aos cinemas, uma vez que sua estreia aconteceu há pouco mais de seis meses.

O tempo em que a história acontece são dois: primeiro, anos 1930, quando o proprietário é o senhor Moustafa, vivido por F. Murray Abraham; segundo, quando a história do hotel é contada para um hóspede, o jovem escritor interpretado por Jude Law, em 1968. Quando o personagem de Law hospeda-se no famoso estabelecimento, localizado na fictícia República da Zubrowka, ele já não é tão “grande” assim. Ao contrário, encontra-se decadente. Mas há uma história de amizade, lealdade e carinho por trás do abatimento estético, vamos descrever assim.

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Zero Moustafa, vivido brilhantemente pelo jovem ator Tony Revolori, faz uma dupla extraordinária com o concierge Gustave H., interpretado por Ralph Fiennes. O mensageiro do hotel, leal, comprometido, obediente, acaba tornando-se um grande amigo e confidente. Os amigos vivem algumas boas e divertidas aventuras, sempre como cúmplices. É tudo muito delicado, divertido na medida e com uma dose pequenina de caricaturismo. Constam no elenco ainda: Tilda Swinton, Adrien Brody, Willem Dafoe, Mathieu Amalric, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Owen Wilson, Tom Wilkinson, Edward Norton e Léa Seydoux.

O filme de Anderson é também uma homenagem à obra do escritor austríaco Stefan Zweig, um dos mais populares do mundo. O diretor até assume ter construído o personagem de Tom Wilkinson baseando-se no próprio Zweig. Stefan suicidou-se 1942, aqui no Brasil. Ele e sua esposa, como tantos outros judeus austríacos, vieram exilados para nossas terras.

Entre todos os detalhes que Anderson não economizou esforço e dinheiro para fazer bem feito está a maquiagem de Tilda Swinton, que passou horas para chegar a caracterização da viúva de 84 anos, Madame D, que é ó-ti-ma no filme em sua relação com Gustave H. Aliás, o primeiro nome que veio à mente de Anderson para dar vida a este personagem foi o de Johnny Depp, que também teria sido incrível. Outra grande referência é o estilo do senhor Moustafa, que foi baseado no escritor americano de romances, contos, peças e ensaios Harold Jaffe, de quem Anderson também é fã. Um filme cheio de afetos.

Além da beleza, da sutileza e da sensibilidade, “O Grande Hotel Budapeste” apresenta personagens pitorescos, quase artesanais. Todo são tão diferentes e muito autênticos. O espectador pode vir a passar algum tempo desejando visitar a República da Zubrowka, hospedando-se no Grande Hotel Budapeste.

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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