Paula e Jaques Morenlenbaum em “Tom Jobim, 20 Anos de Saudade”

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Quando a letra encontra a melodia, aquele encontro de “almas” – porque música tem alma -, o resultado é um grande romance. Desses que marcam profundamente. E que, talvez, continuarão marcando, mesmo tantos anos depois. Mesmo, por exemplo, 20 anos depois, como são os encontros de letras e melodias da obra de Tom Jobim. Foi nesse clima de nostalgia e saudade que Paula Morenlenbaum e Jaques Morenlenbaum apresentaram, nesta quinta, 17, o show de abertura da série “Tom Jobim, 20 de Saudade”, realizado na Caixa Cultural, no centro de São Paulo. Com curadoria do pianista e produtor Fábio Caramuru, o evento gratuito reuniu pessoas de vários estilos e idades no que se pode chamar de uma grande homenagem.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o grande maestro Tom, há 20 anos deixou para sempre um dos maiores legados musicais da cultura brasileira. Para o casal Morenlenbaum, que fez parte da banda de Jobim nos seus últimos dez anos de vida, não havia novidade na execução das canções. O respeito, porém, estava ali, claramente ali. Assim, tudo o que se ouviu foi de uma maestria merecidamente aplaudida. O show começou com a instrumental “Samba de uma Nota Só”, seguida por “Radamés é Pelé”. Jaques Morenlenbaum esteve acompanhado de Marcelo Costa na percussão e Lula Galvão no violão, com quem forma o CelloSambaTrio. Paula, que subiu ao palco logo em seguida, fechou a trinca de abertura com “Águas de Março”.

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Muito se sabe sobre Tom Jobim e muito se canta do seu repertório. Parte de um dos movimentos mais importantes da música popular brasileira, a Bossa Nova, Tom Jobim, morto em 1994, deixou um sem-fim de canções, como letrista, compositor ou parceiro de momentos históricos. Ao lado de João Gilberto, Dorival Caymmi e, claro, Vinicius de Moraes, emocionou gerações com músicas como as que os músicos executaram: “Só Tinha de Ser com Você”, seguida por “Vivo Sonhando” e “O Grande Amor”. Ao final de cada canção, o quarteto era aplaudido com muita intensidade. Não se ouvia o menor ruído na plateia, todos atentos, sensíveis, bebiam da “energia boa” que ainda emana de Tom, como bem definiu, no bastidor, o pianista Fábio Caramuru. O show continuou com “Falando de Amor” e “Sabiá”. Paula Morenlenbaum saiu do palco e o trio executou a instrumental “Outra Vez”. Antes de apresentarem “Retrato em Branco e Preto”, Jaques fez graça com o público declarando: “só está faltando Vinícius e um whisky”.

A programação de quatro dias na Caixa Cultural vai levar outros nomes ao pequeno palco. Hoje, quem se apresenta é o violonista Mario Adnet. Amanhã, sábado, é a vez dos pianistas Fábio Caramuru e Marco Bernardo. O último dia de “Tom Jobim, 20 de Saudade” traz a cantora Alaíde Costa. Ao todo, serão lembradas cerca de 60 canções do maestro e parceiros, os já citados e outros como Cesar Camargo Mariano, Billy Blanco e Radamés Gnatalli. Neste primeiro dia, os Morenlenbaum apresentaram ainda as canções: “Corcovado”, “Amor em Paz”, “Desafinado” e “Gabriela”.

O público que queria mais, um pouco mais, teve que deixar de lado o desejo do bis e apenas saborear as últimas: “A Felicidade” e, como disse Paula, o segundo hino nacional brasileiro, “Chega de Saudade”.

Fotos: Eduardo Favero

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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