Philomena: as tantas maneiras de ver

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O que “Philomena” tem de mais encantador, certamente, é Judi Dench. A atriz de 79 anos é uma fortaleza! Um encanto de mulher e talento que dispensa qualquer enredo. Não que “Philomena” seja ruim, claro que não. Mas sem a competência de Judi é óbvio que o filme não seria o mesmo. Baseado em fatos reais, o longa de Stephen Frears conta a história de Philomena, uma senhora irlandesa que decide, depois de 50 anos, ir em busca do filho que foi vendido para um casal de americanos, quando a mesma era muito jovem e morava em um convento. Isso na Irlanda dos anos 1950. Concorrendo a quatro estatuetas: Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora, o que a trama tem de melhor é o contraponto. Quando Steve Coogan entra em cena, no papel do jornalista Martin Sixsmith – quem ajudará Philomena a encontrar o filho – o mais interessante do filme surge.

Assista ao trailer de “Philomena”!

Philomena não pode fazer nada quando as freiras do convento onde vivia, quando jovem, venderam o seu filho. A dor do abandono a acompanhou por toda a vida, até que decidiu dividi-la com sua filha, Jane, vivida por Anna Maxwell Martin, que por sua vez conheceu Martin, o jornalista, uma pessoa de valores e princípios completamente diferentes. Estimulado pela história que a procura pode render – e o retorno à uma carreira de sucesso, porque Martin está desempregado – o jornalista decide ajudar Philomena. Ela, uma senhora fofa, que ainda reza, devota fiel da fé que abraçou, não percebe os interesses de Martin e se deixa levar. De Londres, onde moram, vão juntos de volta à Irlanda, onde o drama começou.

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Como uma pessoa que cresceu em meio a dogmas e certa alienação reage às tragédias da vida? Philomena teve o filho tirado de si e mantém, tantos anos depois, uma série de valores até difícil de acreditar. Do outro lado, está o jornalista, mais pragmático e desprendido, até agressivo em suas conclusões. O que o filme entrega de mais interessante ao espectador são esses extremos. Judi brilha dando a Philomena tanta doçura. Assim como Coogan brilha dando a Martin tanta sagacidade, imprescindível nos dias de hoje. E assim eles cheguem a um desfecho surpreendente. Ou não, dependendo do conjunto de valores que o espectador tem, porque faz diferença.

Philomena não deixa de ser quem é. Muito menos Martin. E o objetivo… Bom, o objetivo, que é achar o filho de Philomena, é apenas uma estrada pela qual os protagonistas percorrem para mostrar mais de si mesmos e trocar. A troca é a riqueza de “Philomena”. O que vale muito no filme. O que ficará depois do filme. E, claro, também, a doçura de Judi

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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