Sniper Americano: o fuzileiro que virou lenda

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Um tanque toma conta de toda a tela em meio a destroços e soldados americanos armados se movimentam pela área. O cenário, claro, é de guerra. Na próxima cena, vemos Chris Kyle, personagem vivido por Bradley Cooper, em território inimigo oferecendo cobertura para os fuzileiros. Essa é a missão que ele escolheu: cuidar dos seus. Ao longe e sob a mira do fuzileiro, o espectador acompanha uma mulher e uma criança de 12 anos indo em direção ao comboio de soldados. Neste momento, Kyle precisa decidir se atira na criança ou aguarda alguma reação que possa comprovar uma real ameaça aos fuzileiros.

Essa é uma parte do enredo de “Sniper Americano”, que conta a história de Chris Kyle, considerado o atirador de elite mais eficiente das forças especiais da marinha americana. Com uma carreira de dez anos, de 1999 a 2009, o fuzileiro obteve 150 mortes registradas em seu nome. No filme, acompanhamos o atirador se tornar conhecido como “lenda” entre os colegas, como realmente aconteceu na vida real, devido ao seu tiro certeiro. Os soldados se sentiam protegidos quando Kyle dava cobertura para eles.

Dirigido por Clint Eastwood, o longa não é sobre a guerra ou em defesa dela. “Sniper Americano” não mostra fuzileiros e soldados americanos tendo prazer completo com o que fazem. Vemos, sim, uma responsabilidade por parte de Kyle em defender a própria Pátria – principalmente após o ataque às torres gêmeas – mas também acompanhamos as consequências de ser um fuzileiro durante a Guerra, a morte de soldados da equipe, e o quanto Kyle se desgasta emocionalmente no decorrer dos anos.

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“Sniper Americano” é com certeza um filme de personagem. Não vemos apenas a história do atirador mais letal do exército dos EUA preocupado em proteger e cobrir os soldados em guerra, mas também sobre o homem americano nascido no Texas, que se casou com a mulher que tinha certeza que amava, teve dois filhos e é capaz de gritar alterado com as enfermeiras do berçário por não darem atenção à filha recém-nascida.

Depois de quatro idas ao Iraque, o espectador acompanha toda a incerteza do fuzileiro em ficar com a família, conviver com tudo o que foi modificado dentro de si mesmo e a vontade de voltar à guerra para continuar cobrindo os soldados. Até Chris encontrar uma nova maneira de seguir.

É de manhã, Chris pega uma arma e faz piadas com a sua mulher, Tyle, na cozinha. Guarda a arma em cima do armário e vai brincar com as crianças na sala. Despede-se de todos, porque precisa ir embora. Tyle o acompanha e fecha a porta aos poucos, enquanto o observa arrumando a caminhonete e conversando com um veterano. Chris mostra interesse no veterano, principalmente porque algumas feridas de guerra não são necessariamente físicas. O próprio fuzileiro mostrou ter dificuldades em se abrir com a mulher. O espectador acompanha a conversa do ponto de vista de Tyle, pela fresta da porta. É nessa cena que Clint Eastwood entrega o filme, sem necessariamente contar o final.

O longa é baseado no livro “American Sniper” escrito pelo próprio Chris Tyle. O filme estreia em 19 de fevereiro no Brasil.

Letícia Cardoso Written by:

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