Trapaça: é estética, é trilha sonora e é Christian Bale

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Do diretor David O. Russell – que brilhou em dois ótimos longas: “O Vencedor”, de 2010, e “O Lado Bom da Vida”, de 2012 – esse último também com Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro – “Trapaça” é o líder de indicações – assim como “Gravidade” – no Oscar 2014. Mas o que ele tem de tão excepcional? Começando, a grande estrela: Christian Bale. Amy Adams está o máximo – completamente diferente do papel desempenhado em “Ela”, por exemplo, que também concorre ao prêmio de Melhor Filme – ou, talvez, de todos os papéis nos quais atuou durante toda a sua carreira. Linda, sexy, diferente! Já Jennifer Lawrence, ah, Jennifer, convenceu quem ainda mantinha um pé atrás quanto à veracidade do seu talento – ou apenas ela tem correspondido bem à fé que depositaram nela, no ano passado, com o prêmio de Melhor Atriz por “O Lado Bom da Vida”, o que, claro, não agradou a todos. Mas o primeiro item é Bale. A grande estrela.

Bale não surpreende apenas pela caracterização – como ele ficou outro mais gordo e careca! – foi a segurança que doou ao personagem, com todas as suas diferenças estéticas diante de um Cooper, por exemplo, ou do próprio Bale – que o tornou grandioso, atraente. Essa versatilidade é para se levar em conta porque os mais avoados sequer vão associá-lo ao grandioso Batman. Mas vamos à história de “Trapaça”:

Assista ao trailer de “Trapaça”!
http://www.youtube.com/watch?v=YwpdoUcocMA

Tudo começa com dois trapaceiros, Irving e Sydney – Christian Bale e Amy Adams. Eles levam vantagem em tudo e ganham muito dinheiro com a malandragem, que é um negócio para eles, com escritório e tudo. E esse tudo corre bem até que Sydney e Irving são autuados em flagrante por Richie, agente do FBI, vivido por Cooper. O plano de Richie, contudo, não é prendê-los, mas usar a inteligência e a sagacidade dos trapaceiros para fisgar e capturar bandidos maiores, políticos corruptos e mafiosos. Então, Irving e Sydney se veem obrigados a trabalhar para Richie para não serem presos. Sem escolha. E começam os planos absurdos do trio – que também conta com a ajuda indireta de Rosalyn, personagem de Jennifer Lawrence, esposa de Irving, personagem de Bale, que é amante de Sydney, por sua vez, Adams. Confuso? No filme é mais claro e mais fácil de perceber porque todos os atores brilham tanto.

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Um grande filme também por outros motivos, é claro. Por exemplo, o design, os ambientes, os figuros, a estética inteira que compõe o longa. Quanta beleza! Michael Wilkinson é quem assima o figurino fantástico, de todos, inclusive as roupas sensualíssimas de Amy Adams. Vale a frase que foi manchete de todas as revistas masculinas um dia: Amy Adams como você nunca viu. A trilha sonora é outro trunfo. Do nível de “O Grande Gatsby”, produzido por Jay-Z. No setlist elaborado por Danny Elfman – quem não sabe, ele foi líder da banda Oingo Boingo, sucesso nos anos 80 – só tem estrela: Frank Sinatra, Elton John, Bee Gees, Donna Summer… É uma delícia assistir ao filme captando também essas belezas, porque faz diferença. Se não contar com isso, o espectador que só reparar na história pode achá-la em algum momento perdida, pouco empolgante. Mas é claro que o conjunto conta, e a favor. O elenco, a trilha, a estética geral, as tiradas entre os personagens…

David O. Russell pode ter optado pelo mesmo elenco de “O Lado Bom da Vida” por segurança. Mas isso é um detalhe diante da ousadia de produzir um filme tão vintage, tão artisticamente antigo, simples, tão cheio de símbolos da vaidade de todo mundo, do desejo de ser grande, vencedor. E a trilha sonora, e Bale… Um grande filme.

Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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