“Um Belo Verão” e a questão da redenção na paixão

Qual é o momento da redenção quando nos apaixonamos? Quando nos entregamos finalmente à paixão e a vivemos, não importando se vai ser para sempre ou não, ou quando a superamos? “Um Belo Verão”, filme francês de Catherine Corsini, pode levá-lo a essa encruzilhada, que não é irrelevante. Pelo menos não para quem já viveu uma grande paixão.

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Distribuído no Brasil pela Pandora Filmes, “Um Belo Verão” ambienta-se na França dos anos 1970. Delphine, uma moça nascida no campo e que junto com seu pai cuida da pequena fazenda da família, decide passar um tempo em Paris, fugindo das pressões do pai que deseja que se case. O drama pessoal de Delphine é que ela gosta de mulheres.

Assim que Delphine chega à capital francesa, passeando pelas ruas da cidade, chama a sua atenção algumas mulheres que correm pela calçada, gargalhando e “passando a mão” em todos os rapazes. Elas são “as agitadoras”, um grupo de feministas cuja bandeira principal é a liberdade sexual: “não somos contra os homens, mas a favor das mulheres”. A temática é apresentada de maneira divertida e levanta a questão definitiva: “há coisas que você sente vontade de fazer e não faz por ser mulher?”

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É neste momento que Delphine conhece Carole. Livre, inteligente, divertida, Carole mora com o namorado Manuel. As questões centrais do longa então são duas: a de Carole gira em torno de suas descobertas sentimentais e sexuais enquanto de Delphine é existencial. O que fazer quando assumir a responsabilidade sobre o próprio destino significa romper laços caros, essenciais? Delphine é vivida pela cantora, guitarrista e atriz francesa Izïa Higelin e Carole pela atriz belga Cécile de France.

“Um Belo Verão” é sobre quando o subjetivo não encontra meios de se tornar real e também sobre a força do desejo que derruba grandes teorias sobre a “liberdade” – e não importa se é relativa aos direitos das mulheres ou dos homossexuais, porque se trata do humano. Quando Carole abre o jogo com o namorado sobre Delphine, este argumenta que um dos motivos de amá-la é por ela ser independente, alguém que tem controle sobre os sentimentos. A resposta de Carole, no entanto, lembra uma ideia em Gilles Lipovetsky, em “A Terceira Mulher” (2000) que soa mesmo irrefutável: “Há algo no amor-paixão que transcende as suas metamorfoses históricas: o amor será sempre o amor.” O que Carole responde é: “Nunca pensei que amaria alguém assim”.

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Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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