O Grande Gatsby impecável

O cinema conseguiu dar ao romance de F. Scott Fitzgerald tom de fábula. O Grande Gatsby, filme de 2013, coloca diante do espectador os encantos e as vulnerabilidades de Jay Gatsby, numa produção luxuosíssima.

Feito de um sem-fim de recursos visuais de primeiríssima – que vão dos cenários suntuosos aos detalhes quase lúdicos – o personagem vivido por Leonardo DiCaprio é o bon vivant cujos simbolismos contidos em sua personalidade explicam toda uma época.

O Grande Gatsby.

No caso, o período que marca o fim da Primeira Guerra Mundial e a Grande Depressão.

Uma época de prosperidade econômica, que reafirmava a hegemonia dos Estados Unidos na indústria, além de uma esperança que prometia lugar ao sol a todos. O tal do sonho americano, embora o termo tenha surgido apenas décadas depois.

A estética do filme é tão de embasbacar que soterra a profundidade do texto, assim como a relação entre os personagens. Mesmo assim, está tudo ali.

Toda a exuberância estética tornou o projeto ambicioso de Baz Luhrmann uma faca de dois gumes.

Pelas incontáveis referências, o filme exige alto nível de repertório e leitura razoável do romance – em último caso, da orelha do romance. Perde muito quem não está familiarizado com o tempo histórico de Gatsby.

Considerado o livro de maior sucesso de Fitzgerald, O Grande Gatsby foi publicado em 1925. Parte da chamada “geração perdida” da literatura americana – juntamente com Ernest Hemingway e T. S. Eliot, Fitzgerald retratou em suas obras o espírito de sua época. Algo como o que Balzac fez sobre sua Paris, um pouco antes.

O Grande Gatsby é tão importante que não é a primeira vez que o cinema o retratou. Aconteceu em 1926, ainda no cinema mudo; em 1949; em 1974, com Robert Redford como Gatsby e Mia Farrow como Daisy; e esta versão que comento.

Nesta de Braz, quem vive os personagens principais são: Leonardo DiCaprio, como Jay Gatsby; Carey Mulligan, como Daisy Buchanan; Tobey Maguire, como Nick Carraway. Só um adendo sem importância: em minha imaginação, Nick é mesmo parecidíssimo com Tobey.

São claras as tentativas de tornar o filme um sucesso comercial – que pode ter levado muita gente para o cinema, em 2013 – mas o risco que os produtores correram foi imenso.

É que o filme é muito!

E se não são as cores em tons pastel que tornam tudo tão sofisticado e delicado, o filme poderia cair no vazio da mente – ou na melancolia tão característica da obra de Fitzgerald. Aliás, amo demais O último magnata por isso.

Bom, mas para os conhecedores é isso mesmo.

Contudo, a grande “revolução” dessa versão cinematográfica de O Grande Gatsby se dá no mundo da moda.

Muito antes de o filme chegar aos cinemas, os principais veículos de comunicação do mundo acompanharam o desenrolar da produção, passo a passo. Sem falar, claro, nas vitrines das marcas mais famosas que expuseram vestidos de pedrarias – além dos acessórios característicos dos anos 1920 – tudo antes da estreia.

Esse movimento foi novo.

Essa antecipação criou um movimento de consumo numa ordem diferente. Antes, via-se o filme e desejava-se o vestido da protagonista. No longa de Braz, entretanto, foi possível ir ao cinema com a roupa de Daisy ou de Jordan.

Tudo é absolutamente impecável. Assinado por Miuccia Prada – e seu grande elenco – os figurinos exibem a extravagância da época, só que com mais motivos para morrer de achar lindo.

Porque é arte e porque é cinema.

Na versão com Redford e Farrow, os figurinos foram assinados por Ralph Lauren.

As mulheres estavam livres dos incômodos causados pelo espartilho e pela crinolina. Não deixaram de ser femininas, mas com certeza se tornaram mais leves. O corpo também era mais atlético. Jordan é um grande símbolo.

Tudo isso no cenário central de Gatsby faz todo o sentido uma vez que as grandes festas que promovia exigiam esforço físico para dançar o fox-trot e o jazz que corria mais do que solto. Os convidados eram sempre frenéticos como eram seus planos.

Dos pormenores, as joias são Tiffany e algumas delas ultrapassaram a cifra de 200 mil dólares.

Braz aproximou vários universos e quis conquistar público de todos eles. Até o pop se fez presente na trilha sonora assinada por Jay-Z, que trouxe estrelas como Beyoncé com André 3000 numa versão de Back to Black, da Amy Winehouse, lindíssima!

Vale um parágrafo especial: Estele cantando Crazy In Love, de Beyoncé, com pegada jazzística é simplesmente maravilhosa. Uma trilha de alto nível mesmo.

No setlist, constam ainda will.I.am, Fergie, Lana Del Rey, Bryan Ferry, Florence and the Machine e Gotye. Álbum magnífico, à altura das festas de Gatsby.

O Grande Gatsby é prazer para os olhos, para os ouvidos, para as emoções e para a mente, por tanta riqueza.

 

Fausto

Fausto

Fausto

Eliana de Castro Escrito por:

Idealizadora da FAUSTO, é ensaísta, mestre em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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