Sabrina: da singeleza pueril à segurança divertida

Sabrina é filha do motorista Fairchild, da riquíssima família Larrabee.

Os Larrabee possuem dois herdeiros: David, o caçula playboy incorrigível; e Linus, o mais velho de sobrenome trabalho.

Sabrina é apaixonada por David. E se desfalece cada vez que seu amado surge com uma namorada – sempre mulheres sensuais e ricas.

Sabrina, filme de 1954.

O pai de Sabrina, homem honrado e preocupado com o futuro da filha, resolve mandá-la a Paris para estudar, a fim de que outras perspectivas se abram em sua vida e tenha assim um futuro melhor.

Claro, por causa disso acontece o óbvio: Sabrina sofre ainda mais com a notícia, por ter que se distanciar de David, ainda que o amor que sinta por ele não seja correspondido.

Essa é a trama de Sabrina, filme de Bill Wilder, de 1954.

Apenas um ano antes, Audrey Hepburn ganharia Hollywood e o mundo com A Princesa e o Plebeu.

Sempre muito bem recebida pelo público e pelos colegas, além de ícone de estilo, nos bastidores Audrey Hepburn encantava também por seu nível cultural. Poliglota, benevolente, até sua morte, aos 63 anos, seria um exemplo para muitas mulheres.

E Sabrina não decepciona as jovens de sua época – nem das vindouras. Essa joia do cinema é para ver, rever e se deixar encantar pelos belos cenários, pelos figurinos elegantes, pela trilha sonora e pelo roteiro leve.

Audrey Hepburn esbanja graça e um tipo de sedução diferente na pele de Sabrina. Baseado numa peça de teatro, o filme é uma comédia dramática estrelada também por Humphrey Bogart.

O olhar atraente de Bogart quase o desmoraliza, porque é o do tipo selvagem. Entre parênteses, considero Humphrey Bogart e Lauren Bacall o casal mais sexual da história do cinema.

Vale citar porque o clima nas gravações de Sabrina não foi dos melhores. Bogart e Hepburn mal se falavam.

Isso porque Bogart tentou de todo o jeito fazer com que Bacall fosse a atriz principal.

Inimaginável para muitos.

Ou para todos que amaram Sabrina.

Lauren era outro tipo de beleza, uma mais destemida. Magnetiza, claro, mas em nada se parecia com a de Audrey, cuja simpatia adoça o olhar.

Sabrina volta de Paris outra mulher. E só Audrey faria essa transposição com tanta naturalidade, da singeleza pueril à segurança divertida.

A beleza do filme está nas sutilezas. E como consegue ser interessante sem apelar. Como consegue falar tantas verdades apenas pelo olhar dos atores.

A diferença de classes, a paixão não correspondida, o quanto não importa que se galgue posições, porque as relações sempre serão estabelecidas por interesses.

Audrey brilha por tudo isso e principalmente quando mostra a dor que sente devido à sua condição social – ou mesmo pela incapacidade de ser femme fatale.

Sabrina apresenta um tipo de mulher interessante diante do amor. Ela adota posturas que praticamente toda mulher adota ao estar apaixonada, embora nem todas adotem para virar o jogo. E é isso que torna Sabrina apaixonante.

 

Fausto

Fausto

Fausto

Eliana de Castro Escrito por:

Idealizadora da FAUSTO, é ensaísta, mestre em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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