“Um amor depois do outro”, o segundo livro de Ivan Martins

Um amor depois do outro é a tentativa de Ivan Martins de entender esse sentimento partindo do que ele mesmo sente. Lançado pela Agir, um dos selos da Ediouro, o autor reúne neste segundo livro 30 crônicas já publicadas na Revista Época mais 20 inéditas. A experiência de Ivan, em mais de 30 anos de jornalismo e alguns casamentos, o leva a uma certeza: “Amaremos muitas vezes. E isso é bom.”

Como amar não está nos livros – ainda que tentem ensinar por meio deles – mesmo o leitor voraz poderá olhar para suas estantes cheias de títulos e se perguntar: li, reli, refleti, analisei, mas afinal, o que é o amor?

Um amor após o outro, livro de Ivan Martins. Foto: Peter Lindbergh.

O que é o amor, Ivan?

“Eu te amo é coisa que se diz no ouvido. É confissão que se faz num e-mail direto. É algo tão grave, tão bonito, que a gente fala de alma trêmula, com as mãos geladas, ciente de que, ao dizer uma coisa dessas, colocar um pedaço de nós na mão do outro…”, escreve em um dos textos.

Assim, Um amor depois do outro discorre sobre casos inacabados, filhos, dicas sobre como agir depois de um pé na bunda, fidelidade, lealdade, aqueles que não se apegam e os que fingem não se apegar…

Mas, principalmente, questiona sobre o quanto onde escolhemos pisar, neste campo minado que é o amor, diz sobre nós mesmos: “Tempos atrás, uma analista me disse que a pessoa que a gente escolhe diz muita coisa sobre nós. Ela conta, sobretudo, como vemos a nós mesmos. Faz sentido?”

A voz de Ivan, homem das palavras, assume o tom de quem está mais interessado em dividir percepções do que oferecer respostas. Se faz sentido, é o que cada um vai responder no íntimo de si mesmo, em sua estante interior de teorias e conceitos.

Um amor depois do outro é uma conversa aconchegante sobre o amor que todos desejamos viver e sobre como apenas com as experiências, nem sempre dolorosas, aprendemos a sair de nós mesmos para amar de verdade. As crônicas de Ivan Martins, juntas, lidas uma a uma, expõem as vulnerabilidades do autor e suas tentativas de procurar no escuro o interruptor que um dia, quem sabe, acenderá a luz do amor que nunca mais se apagará.

O leitor ávido por explicações, que um dia por meio de um exemplar empoeirado de Flaubert conheceu a entediada Emma Bovary, percebeu a dificuldade que algumas pessoas têm de viver um amor calmo, ou o cotidiano de uma vida a dois.

Com o robusto Anna Kariênina, de Tolstói, notou que a voluptuosidade do desejo, os delírios do ciúme e até mesmo as dificuldades distintas que o amor impõe – mesmo hoje – para o homem e para a mulher – não são coisas do passado.

O mundo é de fato mais igualitário comparado ao das clássicas personagens, mas ainda esconde o mapa do sublime. E se homem não sofre? Experimente viver na pele o amor impossível do jovem Werther, de Goethe. É difícil para todos os gêneros.

A literatura clássica está cheia de romances que não deram certo. Como o cotidiano do nosso bom e velho mundo contemporâneo.

“O desejo mantém as pessoas vivas, mas tem suas exigências”.

Sim, Ivan! E mais certeiro ainda você foi ao escrever: “Romance que acaba é uma fatalidade tão grande quanto o romance que começa.”

 

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Eliana de Castro Escrito por:

Idealizadora da FAUSTO, é ensaísta, mestre em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com