Versos de um sonho…

Noite dessas tive um sonho. Eu estava numa espécie de galpão, só que bem no alto, como se fosse um prédio inacabado, abandonado, sem paredes.

Sei que era alto porque ao redor, dos quatro lados, só havia água escura. Tudo era muito escuro. Como se uma chuva torrencial tivesse inundado o que antes era seguro, onde antes era a vida digna!

Não tinha como sair desse galpão. Água escura, céu escuro porque era noite, galpão escuro. E, de repente, uma letra me veio à mente, no sonho mesmo, como se fosse uma canção. Cantei, baixinho, como se eu recitasse.

Nunca compus. Não entendo absolutamente nada de composição. Ainda assim, as palavras não esqueci. Então anotei para quem sabe um dia musicalizar os versos estranhos, mas não tão estranhos assim, porque agora percebo que sou eu.

Tudo é tão frágil… Mas, como escreveu Todorov, a literatura permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano. No meu espaço da escrita estou segura de todo o mal do mundo.

Expressão do meu espírito é um alto voo visionário. Saio de mim e me compreendo. Volto a mim e me autorizo. O mal romântico é meu defeito de caráter. Tudo é história.

Seguem os versos, aos quais dou nome improvisado de Fé, já avisto os barcos.

O que fazer

Quando não sei o que fazer

Com o natural da lida

 

Depois de acordar

Depois de amar

É vício achar que o controle é vida

 

Mais espaços pra existir

O sentido às vezes dói

Dói amar e renascer

Duvidar não é trair

 

Se em mim Deus mora

Desesperar é desistir?

É mais espaços pra exercer

A semântica existir

 

Lá fora ainda é noite

E escuro tudo ao lado aponta o fim

Certeza apenas de ter em mim um mar

Escuro, estranho, imenso, enfim

 

Fausto

Fausto

Fausto

Eliana de Castro Escrito por:

Idealizadora da FAUSTO, é ensaísta, mestre em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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