“A Beleza Salvará o Mundo”, confirma Gregory Wolfe

A verdade é que até olhar demais no espelho cansa. Este espelho que reflete o narcisismo do nosso tempo. O mundo venceu o medo e a culpa e o eu tomou o lugar de Deus. Quem nos salvará de nós mesmos? “A Beleza Salvará o Mundo”, profetizou Dostoievski. Gregory Wolfe confirma.

Então, quando faltar inspiração, leia os clássicos. Quando desejar algo maior do que você mesmo – e tem, viu? – volte-se para à Arte que a religião inspira. Sugestão de um começo agradabilíssimo? “A Beleza Salvará o Mundo”, de Gregory Wolfe, um livro que resgata para o sublime e guia o homem ao seu devido lugar. Professor e editor, mestre em Literatura Inglesa pela Universidade de Oxford, Wolfe oferece uma verdadeira oportunidade com esta publicação que no Brasil sai pela Vide Editorial, com prefácio de Rodrigo Gurgel.

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Still Point Evening – Makoto Fujimura.

A sentença de Dostoievski que Wolfe entende como profecia tem como base os transcendentais da filosofia: Verdade, Bondade e Beleza. Não, Wolf não acredita que seja uma “fórmula desgastada e rígida”. E ele também não propõe que os três conceitos trabalhem separados. A verdade é que também, quando analisa os tempos atuais, Wolfe vê como um entrave tentar se comunicar com um público que não compreende mais a linguagem cristã, justamente porque o mundo está bastante secularizado. Por isso o livro é uma oportunidade. Quem reconhece a própria miséria e deseja um encontro reconciliador ou identitário por meio da literatura, por exemplo, a qual autor recorre? Gregory Wolfe enumera seis: Evelyn Waugh, Shusaku Endo, Geoffrey Hill, Andrew Lytle, Wendell Berry e Larry Woiwode.

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Wolfe desenha um mapa interessante para quem, assim como ele, tateia um caminho no escuro em busca de motivações ou inspirações mais humanas, e não deixa de apontar a prova de fogo dos artistas de hoje: não transformar a própria arte em um “veículo de propaganda”, algo que, segundo o escritor, “inevitavelmente destrói a integridade” da arte.

Mas será que existe pensamento que não seja ideológico? Existe arte não apolítica?

Ao folhear cada página, as ideias de Wolf despertam no leitor questionamentos como estes acima. Na mesma medida, propõem o desafio de abrir-se para a centelha divina em uma época em que não faltam opções de acesso ao sublime via Apple Store. Como sair do modus operandi “faça o download e transcenda”?

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Wolfe talvez seja um solitário na missão de fortalecer o interesse pela relação “arte e religião”. E nessa missão ressuscita dizeres belíssimos como os do escritor holandês do século 20 Hans Rookmaaker: “Cristo não veio para nos fazer cristãos. Ele veio para nos fazer plenamente humanos”. Arte tem de ser isso. Impulsiona porque mexe com os sentimentos mais guardados.

Dentro da sua ideia de recuperação do humano na era ideológica, Wolfe ainda enumera outros nomes. Entre os artistas, apenas três: Fred Folsom, Mary McCleary e Makoto Fujimura. Entre os pensadores, “os eruditos”, estão: Russell Kirk, Gerhart Niemeyer e Malcolm Montgomey.

Anote todas as referências de “A Beleza Salvará o Mundo”. Investigue uma a uma e terá feito uma pós-graduação em Arte e Religião. Ou não. Apenas busque uma a uma e transcenda.

 

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Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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