Luiz Felipe Pondé: “Deus é o maior personagem da literatura ocidental”

Invariavelmente, os que decidem ir além na leitura dos textos de Luiz Felipe Pondé – seja em seus livros ou em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo – adorariam ficar diante dele, olho no olho, a fim de confrontá-lo, decifrá-lo ou simplesmente encontrar em sua postura imponente – para começar – a segurança de alguma certeza quanto aos mistérios da vida. Penetrar, verbo interessante, na fortaleza do seu mundo interior também pode ser um desejo, imbuído, sem dúvida, de intenções mais subjetivas. Essas intenções decorrem tanto da identidade que o filósofo é capaz de gerar em seus leitores quanto da raiva, porque a acidez de seus textos corrói as paredes sensíveis do conjunto de valores de muita gente. A definição “fortaleza” é de segura, não de forte. A porta de entrada está por trás de seus óculos de armação grossa. Seus olhos azuis, despidos, em algum momento revelam o personagem polêmico além de suas ideias politicamente incorretas. É o que, por exemplo, acontece em seu dia a dia na FAAP ou na PUC. Pondé é amado por seus alunos e por quem convive com ele de perto. Não como a unanimidade burra, conceituada por seu ídolo Nelson Rodrigues, que homenageia no seu último livro A Filosofia da Adúltera – Ensaios Selvagens, publicado pela Editora LeYa. Luiz Felipe Pondé é o próprio contraponto: contrasta e complementa, é ateu e apaixonado por Deus. Aos 55 anos, é casado, pai de dois filhos, e um dos pensadores mais influentes do país. Visceral, o semideus também se emociona. E alguns segundos de vulnerabilidade podem ser notados se algo da natureza humana se dissolver à sua frente. Sua vocação de provocar a alma é alimentada pela solidão, pela descrença e pela melancolia. É a composição da sua sensibilidade, escondida na ironia deliciosa de suas sentenças. Se o filósofo midiático se esconde atrás de seu cachimbo e ri da fúria de seus leitores, quem sabe? Ele está seguro em sua fortaleza. Instigante, pela beleza do seu vazio. Em um papo de bar, em forma de um jornalismo tão cotidiano quanto a sua filosofia, Luiz Felipe Pondé fala sobre tédio, cansaço e Deus. Confira!

Luiz_Felipe_Pondé_Entrevista

Ao observar o cotidiano e ouvir conversas aleatoriamente no metrô, por exemplo, parece que nunca escutamos tanto as frases: “Como estou cansado”, “Dá vontade de ligar o foda-se e largar tudo” ou qualquer coisa equivalente a “Deus sabe de todos os caminhos”. Você acredita que tais frases são apenas clichês de conversas superficiais ou elas representam o nosso tempo, mais profundamente?
Elas são clichês. Só que clichês representam verdades. Empacotadas, tipo Carrefour, mas são verdades, faladas em uma linguagem comum, banal, do dia a dia. É um grande erro achar, como acontece na minha classe intelectual, que clichê não é verdade. É que enche o saco. Porque a realidade não se resume aos clichês. Frases como “estou cansado” ou “quero ligar o foda-se” são reais. Algumas pessoas ligam o foda-se. Eu liguei o foda-se.

Quando isso aconteceu de maneira irreversível?
Quando decidi trocar a medicina pela filosofia. Não achava que estava ligando o foda-se, mas muitas pessoas acharam. E de certa forma eu estava mesmo, porque eu poderia ter me ferrado. Dei muita sorte. É claro que sempre trabalhei mais do que a maior parte dos meus colegas, mais por uma questão de temperamento, e temperamento é meio destino. Sempre fui meio obcecado. Se quero fazer algo, faço. Se desejo estudar um autor, leio tudo o que ele escreveu e releio. Também leio tudo que falaram sobre ele e acabo dando cursos sobre ele. Mas isso é uma questão de temperamento.

E quanto ao cansaço?
Não tem como não ficar de saco cheio. Cansamo-nos de querer tanta coisa. Algumas pessoas querem terceirizar a responsabilidade e isso me irrita. Está muito na moda dizer que a culpa é da mãe, da escola, da sociedade, do capitalismo. Essas coisas eu não levo mais a sério. Esse cansaço é um cansaço verdadeiro, mas é um cansaço de ser você mesmo: “as coisas que eu quero”, “o que eu quero realizar”, “nunca estou satisfeito”. Porque, se você está satisfeito, você para, e no mundo de hoje você não pode parar. Tem uma frase do Shakespeare, de Macbeth, que eu gosto: “a vida é um conto narrado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada”. Não estamos chegando a lugar nenhum. Mas é cheio de beleza, de violência, de criação.

Você acrescentaria outra frase?
Não, essas frases são boas. E isso de ligar o foda-se reflete muito o que as pessoas estão sentindo. Mas, na maioria dos casos, se a pessoa chutar tudo para o alto, não vai cair nada a sua volta, porque vínculo resulta nisso mesmo. Por exemplo, quando você escolhe ficar com uma pessoa por muito tempo. Você abre mão de muita coisa em nome de uma história.

Existe um caminho para construir um bom casamento?
Depende de sorte, de encontrar uma pessoa com quem consiga estabelecer uma parceria. Cada vez mais acredito que as virtudes essenciais são: humildade, gratidão e esperança. Como sou um pessimista nato, meio cético, descrente, dizer para mim que a vida não tem sentido e que o mundo não é confiável, soa banal como café da manhã. O que me encanta é a possibilidade de ter esperança. Isso eu acho um milagre, isso me interessa. Não é algo fácil. A possibilidade de estabelecer vínculos, de ter esperança de construir algo com outra pessoa, de ser grato a outra pessoa, é uma das experiências contemporâneas mais raras. Porque vivemos em uma sociedade na qual todo mundo acha que tem direitos. Quando você acha que só tem direitos, você vai ser uma pessoa ingrata por definição. Se o que eu ganhei era meu de direito, não tenho motivos para agradecer. Daqui a mil anos, vão se lembrar de nós como a era do ressentimento e não como a era do iPhone.

Mas isso está longe de estar na consciência, não?
Não, não está na consciência. Nietzsche, ao identificar o ressentimento, no final do século XIX, está falando de como as religiões servem ao ressentimento: “eu queria ser amado por Deus, queria ser importante, mas não sou”. E aí se compra o pacote que diz que existe outra vida melhor do que esta. Passo a viver para a outra vida e brocho nesta aqui. Para não brochar, tenho que suportar a falta de sentido. Tenho certeza de que não temos consciência disso. Quando olharem para a nossa época e estudarem a sua mentalidade, as categorias essenciais serão: mimo, ressentimento e narcisismo.

O narcisismo é o mais claro…
Mas não enxergamos. Lemos tudo como “o mundo me deve”, “as pessoas me devem”, “tenho direitos a um monte de coisas”, e isso causa uma cegueira espiritual enorme.

Hoje, aos 55 anos, quais assuntos refletem o seu momento?
Terminei um livro sobre o ressentimento, falando exatamente dessas virtudes: gratidão, esperança e humildade. Esses são os temas que me interessam no cinema, por exemplo. Sou, quando escrevo, muito visceral.

Quase não dá para perceber…
[Sorri] Com o passar do tempo, fui tomando consciência da influência da escola romântica no meu pensamento, que fala de mal-estar no mundo moderno, que tem uma prevalência dos afetos sobre a razão, é algo bem rodriguiano, inclusive. Escrevo sobre coisas que me impactam. Decidi fazer filosofia a sério. Eu poderia ter continuado médico. O que é muito louco, que percebo, é como grande parte dos leitores, principalmente as leitoras, enxergam isso.

Tem uma frase no “Contra o Mundo Melhor”, curta, mas que acredito ser muito significativa para te definir: “ironizo porque sofro”. A ironia costuma nos defender das coisas que doem…
Sim. Neste caso é fazer das suas vísceras a matéria-prima do que vai levar comida à sua mesa. A leitora, a mulher, enxerga isso mais diretamente. Falar de coisas verdadeiras tem um poder enorme. E como estamos na era da mentira, a verdade comove. Quando você não está preocupado em agradar ou fazer bonitinho. Na realidade, isso é motivo de alegria, poder falar as coisas a sério e ter um monte de gente querendo ouvi-las.

Você se vê como um anti-herói? Os motivos são seus, e só seus, as opiniões refletem apenas o que você sente, mas isso gera identidade, leva as pessoas a pensar. Seria quase uma missão, só não o é porque as motivações de um anti-herói não são altruístas…
Não são mesmo. Eu me vejo muito como alguém que leva as pessoas a pensar no que elas não querem. No caso, trabalho no sentido contrário ao da autoestima, apesar de estar convencido de que, se existe alguma autoestima possível, ela necessariamente passa por essa compreensão mais verdadeira de si mesmo. Mas a autoestima banal, que esta aí no mercado da autoestima, falo justamente o contrário disso. Essa imagem do anti-herói, porque se entende como herói aquele com quem as pessoas querem se identificar, e o anti-herói como aquele com quem elas se identificam contra a vontade delas, sim, sem dúvida. É quase como se falar comigo fosse um objeto confessional.

E isso alivia as suas dores?
Sim, porque escrevo para não me sentir só. É claro que recebo muitos e-mails, e respondo a boa parte deles. Dedico alguns minutos do dia para ler o que me escrevem e vou respondendo. Apesar de eu não ser uma pessoa de pulsão social, não gosto de ir a festas, não suporto vernissages, esse ambiente em que todo mundo quer ser inteligente, converso a sério com as pessoas, a troco de nada. Por isso gosto de dar aula. Gosto de conversar. O que me encanta dando aula é perceber quando um aluno descobre alguma coisa que ele não tinha pensado, quando ele junta duas ideias, quando dá um “tilt”.

Muitos dos seus leitores parecem não perceber a sua sensibilidade, normalmente captando a faceta mais áspera de suas ideias, tentando compreender aquele que está ali acusando quando, às vezes, parece mais lógico que apenas uma pessoa extremamente sensível poderia falar desse jeito, sentir as coisas nesse nível…
Normalmente, as pessoas que menos me entendem são as que olham a vida do ponto de vista ideológico, político e que se acham santas. Uma vez, criei uma personagem chamada Andréia, nas colunas mais antigas. Escrevi cinco ou seis textos sobre ela. A primeira vez que fui ao Jô Soares foi por causa dela. Só que a Andréia me causou muitos problemas. Para começar, ela não existe. Escolhi o nome Andréia porque em grego significa coragem, só por isso. Minha mulher não acreditava que ela não existia. Depois, um belo dia, em um lançamento de livro, aproximou-se uma menina e, quando perguntei o seu nome, ela respondeu: “meu nome é Shirley, mas pode me chamar de Andréia”. Então, parei de escrever sobre ela porque ela estava me dando dor de cabeça. E eu falei para o Jô: “inventei essa personagem para ter um prazer inexistente: o de controlar uma mulher, saber o que está na mente dela”. E tem uma frase que eu coloquei na boca da personagem, no caso, ela pensando: “a distância entre vício e virtude é apenas o número de taças de vinho”. Quando se lê isso politicamente as pessoas falam: “o Pondé está falando mal, que a mulher bebe, que a mulher não tem senso moral…”. Não estou interessado nessa história. Essa discussão “o homem é isso” ou “a mulher é aquilo” não me interessa. É óbvio que não me interessa. Quando falo disso, estou falando de uma experiência real, de algo que acho que é uma experiência real. Normalmente, quem tem dificuldade para me entender é quem me lê numa chave política. Quem quer me enquadrar numa caixa política que não me interessa.

Isso te incomoda? Ou já te incomodou?
Já me incomodou mais, embora eu soubesse que isso ia acontecer, porque antes de assinar a coluna semanal eu já tinha escrito vários artigos, tanto para a Folha de S.Paulo quanto para O Estado de S.Paulo. Comecei a escrever para O Estado de S.Paulo quando morava na França, de 1994 a 1996. Eu já estava com as minhas atividades na PUC, na pós, em discussões. Hoje não me incomoda mais.

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Normalmente, ao julgar, uma pessoa fundamenta seu julgamento no que acredita que conhece sobre quem está julgando, no que conhece do mundo e, principalmente, no que conhece sobre si mesma. Como você chega à conclusão ou define o que é a verdade?
No meu trabalho acadêmico, aprendi que verdade é o resultado de um grande esforço, de ler muito sobre um assunto, ler o que chamamos de fortuna crítica. No caso, estabelecer algo de que minimamente você tenha certeza, naquele recorte super preciso que é o trabalho acadêmico. Apesar de, hoje, não ser o bastante, nem na minha vida nem no meu trabalho na imprensa – e na mídia isso é importante – sou um cara que gosta de estudar. É por isso que sou o inferno para quem debate comigo e não gosta do que falo. Porque eu estudo, eu leio. Normalmente, sei o que estou falando, não tiro do chapéu. Minha formação acadêmica foi fruto de um esforço enorme, de estabilizar o mínimo de certezas, cercado de referências. De mim para mim mesmo, algumas coisas foram importantes, entre elas, 23 anos de terapia, por várias linhas diferentes, e dez anos de estudo de psicanálise, e não porque eu queria me entender e sim porque queria ser psicanalista, em vez de médico. Comecei a estudar psicanálise no segundo ano de medicina. Falo de um ponto de vista privilegiado, porque sou alguém que abandonou a medicina para ser filósofo e deu certo. Não posso dizer que a vida não sorriu para mim, de alguma forma. Poder fazer terapia, hoje, aos 55 anos, e perceber que tenho um mínimo de vocabulário subjetivo, coisa rara na formação masculina, me faz pensar que a verdade é nessa ordem. Sou, antes de tudo, e cada vez mais vou tomando consciência disso, um romântico. No sentido técnico.

O que é um romântico no sentido técnico?
Alguém que passa mal com a modernização, que sente que tem alguma coisa fora do lugar, e que gira ao redor de sensações. Para mim, a verdade é antes de tudo uma sensação, e ela não é suficiente, porque sou alguém intelectualmente treinado, seja no método científico da medicina ou no método intelectual da filosofia. Então, sou um romântico medicado. Tomo o meu remédio direitinho. Sei que as sensações podem tomar uma forma completamente delirante. Quando você tem sensações fortes, você sabe que tem que tomar cuidado com elas. Quando você tem vícios fortes. Já escrevi sobre isso algumas vezes. Não levo a sério ninguém que fala de moral que não tenha algum vício, porque não sabe o que é o esforço para se conseguir ter o mínimo de virtude. A verdade é, antes de tudo, uma sensação. Daí vem o meu trabalho. Inclusive, por isso, às vezes, o meu texto sai furioso.

Você se emociona muito? E ainda?
Sim. [Pensativo] Sou um amante de ópera. Choro em ópera, em cinema. Recentemente, assisti a um filme que me tocou muito, chama-se “O Concerto” [Radu Mihaileanu, 2009]. Não tem tema que me emocione mais, hoje em dia, do que redenção. Uma pessoa que consegue, depois de um trajeto cheio de problemas, criar uma situação na qual, de alguma forma, enfrenta tudo aquilo por que passou. Apesar de eu ser muito cético em relação a um monte de coisas.

Você fala muito sobre o sofrimento formar o ser humano, e tem um verso bíblico, Jó 23:10, que fala: “provando-me ele, sairei como ouro”. O sofrimento te refina, te purifica, mas ainda assim é difícil suportá-lo…
Não penso: “vem, sofrimento, porque eu quero ficar sábio”. Até porque você não precisa chamá-lo, ele vem. Você tem por obrigação escapar dele.

E Deus? Você escreve muito sobre Deus em seus livros…
Eu adoro Deus. Acho Deus uma ideia elegante. Virei ateu com oito anos.

Então, você fala de Deus como um conceito?
Encanta-me o personagem Deus. A minha relação com Deus não é de crença, é de paixão.

Sua reza se dirige a quem ou ao quê? A reza como um conceito.
Não peço coisas a nenhuma força superior. Não tenho essa experiência. E não a tenho por alguma razão psicológica, não tenho essa necessidade. Mas sou encantado com Deus, com a literatura religiosa. Instiga-me. Estou começando um livro sobre os dez mandamentos agora, estou em cima desse assunto. Deus é um personagem que me encanta e eu espero que ele exista. A ideia de que exista um ser dessa magnitude, que sabe tudo, pode tudo, e mesmo assim não é boçal, não se deprime em sua solidão, que ninguém criou e que nunca vai acabar, além de ter consciência de si o tempo inteiro e que pode fazer o que quer… Acredito que Deus é o maior personagem da literatura ocidental. É por isso que eu falo de Deus, e porque a literatura mística me encanta. A percepção de beleza no mundo. Eu acho a beleza tão rara que, quando a enxergo, tenho a impressão de ser um milagre. Enquanto estou falando de Deus estou vendo beleza, mistério, e essas coisas me interessam.

E quanto ao Deus, o salvador, que livra dos problemas? Essa ideia pode ser considerada uma muleta?
Para um monte de gente, é. A crítica psicológica de Nietzsche e Freud sustenta isso, porque a vida é foda. Minha mulher tem uma hipótese sobre mim, de vez em quando brincamos com isso, e ela diz que eu não preciso de religião, porque eu não preciso mesmo, e não porque eu não tenha medo, eu fico fodido no medo, mas não tenho esse impulso. A hipótese dela, sobre o que me protege da religião, é justamente a minha descrença absoluta na vida, minha melancolia, meu pessimismo. Não sou nem capaz disso. E não é porque eu seja melhor, é porque não atingi o nível de ter fé em alguma coisa. Nem alcancei, na minha evolução psicológica, a possibilidade de acreditar em algo assim, sou muito cético.

Isso é um pouco de autoindulgência?
É exatamente isso. Como você já tem uma expectativa de catástrofe, porque viveu ou deve ter vivido catástrofes na infância afetiva que o deixou numa expectativa de “isso vai dar errado”, “não pode dar certo, está muito bom”, como mecanismo de proteção você acaba não acreditando em nada, para não sofrer mais decepção.

É nesse sentido que Deus foi colocado, no começo da nossa conversa, como uma ideia capaz de dar a todos as mesmas oportunidades, como se elas fossem iguais ou como se houvesse justiça…
Não existe ninguém regendo isso aqui, nós estamos meio entregues. A justiça é algo que você arranca do chão com muito esforço.

Vivemos em um país cansativo, que desgasta o físico pela falta de infraestrutura e o emocional pelas injustiças, mas em que persiste um comportamento de “mulher de malandro”, de apanhar e não fazer nada para mudar. Qual a sua ideia para mudar esse comportamento?
[Dá risadas] Apesar de desconhecer, por experiência de vida, o que é viver longe das oportunidades, eu diria duas coisas: acho essencial você ir e fazer a sua vida por si só. Uma das coisas que mais atrapalha o Brasil é não ter a mentalidade de ir e fazer. Correr atrás do prejuízo. Apanha, levanta, apanha, levanta. Se ficar reclamando, o seu destino vai ser o Bolsa Família. Sempre falo com os meus alunos sobre isso. E, veja, estou na PUC e na FAAP. É justamente a minha preocupação. Falo para eles: “olha, vocês são da elite econômica, e elite econômica tem responsabilidade”. A elite econômica dá o tom do país, e aqui ela sempre foi uma merda. Sou muito preocupado com esses jovens, porque eles são essenciais para o país, são eles que têm que se afastar do comportamento dos pais, que em sua grande maioria são irresponsáveis e alienados, mais ou menos escrotos com o resto do Brasil. Em geral, mesmo quando você nasce na elite econômica, você tem que ir e fazer. Penso assim: a pobreza é igual à força da gravidade, quando você para de bater as asas, você cai. Logo, a riqueza é antinatural. Se não fôssemos animais antinaturais, estaríamos na merda. Nascemos prematuros, nossa reprodução é complicadíssima, a fêmea quase morre ao dar à luz, leva anos tomando conta da cria que nunca vira gente grande. Acredito na necessidade do esforço pessoal. A segunda coisa, num regime menos racional, acredito que, quando você pode, você tem que seguir o que você sente.
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Eliana de Castro Written by:

Jornalista pós-graduada em Cultura pela FAAP, é mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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