Roberto Duarte: “Villa-Lobos é um gênio”

Um dos mais respeitados regentes do país, Roberto Duarte é célebre especialista na obra de Heitor Villa-Lobos. Foi regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Orquestra Sinfônica do Paraná e da Orquestra Unisinos, no Rio Grande do Sul. Fundou e foi diretor musical da Orquestra do Theatro São Pedro, em São Paulo, e a lista dos prêmios que ganhou no decorrer de sua trajetória é longuíssima. Está entre eles o prêmio de Melhor Regente do Ano de 1994 e 1997 da Associação Paulista de Críticos de Arte, e em 1996 recebeu da Fundação Nacional de Arte o mais alto prêmio da música no Brasil: o Prêmio Nacional da Música, como regente. Direto de Tuttlingen, Alemanha, Roberto Duarte conversou com a FAUSTO com exclusividade sobre o mito Villa-Lobos.

Roberto Duarte
Roberto Duarte. Foto: Werther Santana.

Fausto: Qual é a relevância de Heitor Villa-Lobos para a cultura nacional?
Roberto Duarte:
Todas as nações têm seus personagens importantes, em todas as atividades, os quais servem – ou deveriam servir – de exemplo para seus compatriotas. Muitos deles são admirados e até louvados por grande parte da população. Heitor Villa-Lobos é um gênio musical consagrado em todo o mundo. Sua relevância para a cultura nacional pode ser dividida em duas partes.

Qual seria a primeira?
Como músico-compositor, Villa-Lobos fez com que o nacionalismo musical iniciado por Nepomuceno, Levy, entre outros, ganhasse uma posição indiscutível na criação sonora brasileira. O uso do folclore, de forma direta ou modificada à sua maneira, o uso de instrumentos típicos brasileiros na orquestra sinfônica, como o Tambu-Tambi, a Cuíca e o Roncador emprestam à sua obra uma sonoridade diferente de seus contemporâneos.

E a segunda?
Como educador, no sentido amplo da palavra, Villa-Lobos teve o mérito de levar a música às escolas. Para isto chegou até a propor a criação do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico [decreto-lei 4993 de 26 de novembro de 1942] que tinha entre seus objetivos a formação de professores de Canto Orfeônico para o antigo ensino primário e secundário.

À medida que o tempo passa, muda sua relevância? Como é vê-lo em 2015, considerando o que produzimos agora e inclusive nosso momento político?
Não, sua relevância não muda. Muito pelo contrário, Villa-Lobos continua sendo uma das grandes referências nacionais, senão a principal, em matéria de criação musical. Algumas de suas obras, talvez, ainda possam causar espécie em quem as ouve pela primeira vez por considerá-las “avançadas”, mesmo em 2015…

Enaltecer sua obra é uma preocupação que temos que ter, enquanto mídia, ou mesmo as escolas, em não deixar seu legado escapar da pauta?
Sim. A mídia deveria se sentir obrigada a divulgar muito mais o que o Brasil produziu e produz de melhor, não só na música como nas artes e na cultura em geral. A memória de um país é a base de tudo para seu povo.

O que o senhor destaca de mais genial em sua obra?
Sua capacidade de produzir em larga escala com um alto percentual de acerto. Ele próprio, em resposta a um repórter radiofônico sobre a inspiração, foi enfático em afirmar: “Esse negócio de vir inspiração não existe em mim. Eu nasci inspirado já, (ou eu faço a coisa…) ou eu faço uma boa coisa ou faço uma porcaria”.

 

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Eliana de Castro Escrito por:

Idealizadora da FAUSTO, é ensaísta, mestre em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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