Romance filosófico: o pensar com encanto e emoção

Romance filosófico é o perfeito subgênero do romance para quem aprecia – na mesmíssima medida – literatura e filosofia. Os tantos títulos clássicos disponíveis podem ser, inclusive, leituras de entrada para esse universo tão rico e fascinante que é a filosofia.

Tanto para o leitor como para o autor, o romance filosófico significa infinitas possibilidades de apresentar, esmiuçar e argumentar teorias sobre a existência – morais ou não.

Na prática, o romance filosófico trata-se de uma história que, a despeito dos atributos que a definem como única – por exemplo, característica dos personagens, ambientes, contextos, além do próprio recorte narrativo – ela aborda questões universais.

Ou seja, questões que pessoas distintas, de lugares distintos e eras e culturas distintas têm em comum.

Nesse subgênero do romance, problemas filosóficos são levantados no decorrer da história e normalmente eles inquietam o leitor – embora nem sempre os personagens.

Esses problemas levam o leitor a pensar o que faria no lugar de determinado personagem, não apenas no que tange às decisões propriamente ditas, mas o valor moral delas.

Antes do exemplo de um clássico da literatura, apresento uma definição de “questão filosófica” que é fácil de entender, que eu li em A Verdade é Insuportável, livro do filósofo Andrei Venturini.

Citando Lars Svendsen, Venturini escreve que uma questão filosófica se caracteriza como uma espécie de desorientação.

Agora, ficou bem fácil! O Estrangeiro, de Albert Camus, é exemplo de um romance filosófico. Quem não se inquieta com a frieza de Meursault ao lidar com a morte de sua mãe? E, principalmente, quem consegue terminar a leitura sem um veredito. Você absolveria Meursault? Eu absolveria!

Um dos privilégios desse tipo de romance – agora na perspectiva do autor – é que nele é possível colocar diversas questões e “manipulá-las” para que o ponto de vista desejado seja apresentado com muita clareza.

No romance filosófico uma teoria pode ser “testada” no microcosmo criado pelo autor. É claro que esse microcosmo será igualmente julgado como verossímil ou inverossímil, dependendo da habilidade do escritor.

O que, porém, proporcionará qualidade ao romance filosófico é o nível de aprofundamento das questões e, principalmente, as nuances de cada questão.

Isso pode acontecer de maneira objetiva, em colocações claras; ou de maneira mais rebuscada, com raciocínios longos, sinuosos, além da própria gama de acontecimentos.

Sendo assim, dito de maneira simples e resumida, um romance filosófico tem como finalidade ilustrar uma teoria.

Agora, um ensaio filosófico não bastaria para ilustrar uma teoria? Talvez. O que é evidente, contudo, é que no romance filosófico o autor pode contar com mais recursos.

O romance filosófico é capaz de encantar, distrair, comover, criar diversos cenários, diálogos, reveses, tudo isso que torna uma história próxima da realidade do leitor.

É claro que nada é de graça. Com tantos recursos à disposição, o autor será cobrado pelos quesitos: criatividade, caracterização, estilo e enredo. Talvez, escrever um ensaio seja mais fácil…

Romances de adultério são outros bons exemplos. Como praticamente todo mundo já se apaixonou a ponto de perder o controle – ou de chegar muito perto de perdê-lo, esse tipo de romance torna a empatia mais natural – ou mais violento o julgamento, caso o leitor tenha sido a parte enganada da história.

Seja como for, o romance filosófico ampliará determinantemente a perspectiva do leitor, tendo ou não vivenciado as questões apresentadas.

 

Nobre dama ou nobre cavalheiro,
Foi uma honra para nós sua leitura! Esperamos que aprecie da mesma forma e contemple nosso Instragam!
Até a próxima!

Eliana de Castro Escrito por:

Idealizadora da FAUSTO, é ensaísta, mestre em Ciência da Religião pela PUC-SP. Contato: eliana.faustomag@gmail.com

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